Histórico


    Votação
     Dê uma nota para meu blog


    Outros sites
     M. Celso H.Viola,escritor,poeta
     Outubro- poeta Nei Duclós
     marco celso viola,blog
     Porto Poesia
     Instituto Machado de Assis


     
     
    Marco Celso Huffell Viola


    Bah!
    Só uma exclamação como esta, aqui do rio grande, para expressar surpresa sobre coisas inauditas e absurdas. Bah!
    O que eu li hoje me perturbou, me fez voltar a esse blog para escrever sobre uma grande imbecilidade mal rascunhada a respeito de Ariano Suassuna.
    Um  tal de Alex Antunes (uma pergunta, quantos livros tem publicado o moço?) metendo o pau em Ariano Suassuna, recém falecido. O cara escreve  se não me engano no Yahoo.
    O  tal segue a antiga tendência do pensamento colonizado de que qualquer brasileiro, seja qual for, vale nada, nem merece respeito. Consideração, nem se fala.
    O rapaz ataca Suassuna porque ele ousou falar de uma cultura avassaladora,doentia, essa sim, burra na maior expressão.
    Ariano, no texto de Alex, não merece nenhum respeito, nada. O texto é deselegante e até imoral.
     Brasileiro não pode ser pensador, não pode cometer equívoco ou dizer bobagens.
    A  questão de Ariano,aqui é emblemática.
    Suassuna foi um dos poucos brasileiros que vi nos últimos anos criticar palavras, costumes mal importados e nisso seguia a tendência dos modernistas quando buscavam encontrar uma linguagem escrita nossa, adequada para nossa fala.
    Oswaldo de Andrade chegou a ser criticado por  Mario de Andrade pelo o uso da palavra garagem. 
    E nisto Ariano fez o que um intelectual de valor faria, usando os espaços disponíveis para chamar a atenção sobre a necessidade de manter um pouco de nossa integridade cultural.
    Ele criticou como ninguém como raros intelectuais, uma cultura massiva que exporta sua ignorância, seu mitos pobres, explorados como os negros que cantam sua miséria social e política:“ estou com grana hoje,vou detonar na balada, vou comer  todas, tenho um carrão fudido e você otário, tem o que?”!
    O carrão, a grana, conseguida onde? Na esquina, com a miséria  dos que não reagem mais por falta de forças. Tai o Tupac morto, e tantos outros.
    E Madonna? Com  sua voz de falsete, pouco talento e uma produça enorme (como diz um produtor musical nosso), pra fazer aquela franga pelada parecer que cantava. Aonde ela anda agora?Ah! Mudou de nome, se chama Lady Gaga.
    Homer Simpson faz bem em comer o vestido dela.  O Grammy que ela ganhou não foi pela voz ou pelo talento, mas pelo vestido que ofendeu metade deste mundo faminto.
    Viva esses mitos!
    Mitos, talentos  com prazo de validade!
    Suassuna matou a charada, rapaz!
    E você, babe!Porque nunca na sua vã filosofia de almanaque vai conseguir essa síntese.
    E,digo mais,Ariano não era xenófobo, as referências de sua obra são universais, na Compadecia, estão lá para quem souber ler, O Mercador de Veneza, lendas árabes e, ele teve a sabedoria de grande intelectual de confessar isso.E  brincar com isso!
     Lá pelos anos oitenta ele disse que não iria escrever mais, tenho mais de uma testemunha deste seu destempero.
    Num país como o nosso, de respeito escasso, é fácil de entender a atitude.
    E você, seu Alex? Já pensou em parar de escrever? Essa seria uma ótima hora para pensar nisto.
    É isso! Viva a cultura do ritmo sem música, da poesia sem poesia !Do tambor, sem harmonia.
    Vivemos a era do lixo, lixo imposto em cima de culturas  miseráveis,  pobres e mais ignorantes.Viva  nossa miséria  e ignorância para a felicidade e beneplácito das multinacionais do disco,das editoras que lançam toneladas de livros criados por equipes de redatores, de um cinema que multiplica a velocidade dos carros, dos tiros e da violência gratuita.
    Gosto é gosto.
    Mas cultura é cultura. Para fazer cultura  precisa esforço, trabalho, dúvidas, erros e dedicação.
    Coisas necessárias a um bom intelectual.
    Para  cultura de massa é só babar, diante do traje de Lady Gaga e as coxas  magras da Madonna.
    Sussuana acertou como um intelectual serio, importante que foi.
    Sabe nada ô inocente, útil!
     Achando que sabe das coisas.
    Ariano sabia do que falava e se lidou com os milicos, fez como a maioria dos brasileiros para conseguir sobreviver naquele período podre do Brasil, coisa que este senhor Alex não deve saber por que não passou por isso.
    Õ sujeito! Por acaso tirou passaporte,ou teve que fugir daqui neste período? Esteve fora, exilado?Pensou e sofreu o Brasil longe dele? Sabe nada!Ou viveu aqui tendo que sustentar uma família cuidando-se dos arapongas que infestavam cada departamento de universidade, repartições públicas e a vida social ou privada?
    Fácil falar, vai falando, mas respeito e cuidado com o que fala!
    Não conseguirmos ter uma indústria cultural, e uma medíocre  indústria em geral, porque temos um atraso atávico e uma corja de nojentos que nunca respeitou esses país como ele merece ser respeitado.
     Vá ler história, inocente, sugiro um brasileiro como Nelson Wernek  Sodré,historiador e milico, mas com que história pessoal e intelectual, meu caro!Em suas Razões da Independência ele mostra como lombo dos negros no Brasil criou a Revolução Industrial, você sabia?
    Claro que não, isso não interessa a burrice nacional colonizada!
     Não!
     Interessa o pitoresco, o cômico o ridículo e o grosseiro. Alguns brasileiros gostam de ter uma baixa auto-estima de viver no brete, enjaulado, bebendo coca cola  e rindo  com os dentes cariados para enfeitar e pagar a beleza do show bizz.
    Nelson Werneck como Ariano, entre vários outros, amaram profundamente esse país. E buscavam  saber de suas raízes e não apenas da superfície.
    Qualquer moleque norte-americano  respeita  os pais de sua pátria e aqui?
    E sabe por quê? Desde o berço eles são ensinados a respeitar.E aqui se ensina algum tipo de respeito? Ensina-se o deboche, o amor as chuteiras e o desprezo como foi demonstrado no seu texto.
    Não, aqui debochamos da mãe do juiz, do bigode de dona Carlota e enfatizamos o ridículo histórico.
    País  de gente  metida a saber escrever, é  fácil atacar quem morreu  ontem.
    Fácil, ele não vai sair do túmulo como um personagem dos vídeos de Michael Jackson pra puxar a sua barba medíocre.
    Fácil dizer que  ele que viveu a sua vida em erro. Porque era de esquerda, etc,besteira, você não percebeu que esquerda e direta hoje são bobagens, aqui e no teu país, os EUA. Lá eles se dividem em democratas e republicanos, uns a favor da grana e outros a favor de dividir um pouco desta grana.
    E digo mais, conheço a obra de Ariano desde criança,
    Ele já era grande quando você certamente não era nem era nascido e havia orgulho nos teatros dos colégios quando alguém interpretava um personagem do Auto da Compadecida. E, esse orgulho  vai continuar existindo apesar de você como já dizia Chico Buarque.
    Respeito é bom e eu gosto como se fala aqui no rio grande.
    Te dou (ou dou-te) uma tarefa, pequena coisa metida a critico:
    Lê o Auto da Compadecida.  Mas lê, não o que a Globo exibiu. E nem vai ao You Tube ou no Google achar que vai descobrir o que não sabe.
    E vai ficar surpreso o quanto de beleza, humanidade,  arte, criação, existe no texto.
    Você é capaz disto? 
    Suassuna perdoa esses, aliás, a Compadecida perdoa.
    E começa a ler Alex,  faz o favor. Dá pra ver pelo seu texto que você não leu nada! E o que leu não conseguiu entender.
    Seu texto capenga, tosco mostra  muito bem do que são feitos os, talvez, pretensos novos intelectuais brasileiros, sem história e ocos.Cheios de vento e miséria.
    Vai ler ô inocente!

     Mas bah!



    Escrito por Marco Celso Huffell Viola às 10h30
    [ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



    Feira do Livro de Porto Alegre ofende a poesia

    No caminho com Maiakovski
                                             De Eduardo Alves da Costa

    Na primeira noite eles se aproximam
    e roubam uma flor
    do nosso jardim.
    E não dizemos nada.
    Na segunda noite, já não se escondem;
    pisam as flores,
    matam nosso cão,
    e não dizemos nada.
    Até que um dia,
    o mais frágil deles
    entra sozinho em nossa casa,
    rouba-nos a luz, e,
    conhecendo nosso medo,
    arranca-nos a voz da garganta.
    E já não podemos dizer nada.

    O recente episódio que redundou na prisão violenta da poeta Telma Scherer durante a sua performance na 56 Feira do Livro de Porto Alegre no dia 12 de novembro de 2010, mostra o grau de insanidade a que chegou aqueles que são responsáveis por uma Feira de Livros que se pretende cultural e que revela, finalmente, que de cultura nada desejam além de vender livros e no que se diz cultural não passa de uma quermesse mal animada.
    Ninguém me contou, estive presente, por acaso, no ato da prisão de Telma quando um ex-presidente da Feira declarou em alto e bom som : ”-essa mulher tem que ser presa está  perturbando as barracas da Feira”.
    Na mesma oportunidade os policiais encarregados de prendê-la disseram que iam fazer nela exame de teor alcoólico e exame psiquiátrico num posto de atendimento do INSS.
    O constrangimento e a virulência foi tanta que deixou a poeta, sensível, muito assustada, sendo tratada como uma verdadeira criminosa.
    As garantias de livre expressão da Constituição foram rasgadas naquele momento, sem levar em consideração a ausência de um mínimo de bom senso dos administradores da Feira que a acusaram da forma que fizeram.
    Unindo-se a isso tivemos mais uma demonstração também da grande mídia, quando um dos mais importantes jornais da capital minimizou o incidente, mostrando mais uma vez o jornalismo subserviente que é useiro e vezeiro de praticar.
    Não podemos esquecer também os nossos intelectuais que também minimizaram o episódio como se ele não fosse emblemático de um momento que vive a nossa cultura subserviente ao poder econômico e feliz com as migalhas que lhes são atiradas através de um reconhecimento feito de cartas marcadas e jogadas bem ensaiadas para disfarçar o uso de verbas públicas que  terminam por caucionar a prisão uma poeta.
    Ficar calado a isso é admitir a nossa impotência diante de um acontecimento tão grave que não poderá ser esquecido com facilidade pois, senão como diz poema chegaremos novamente no momento: “que já não podemos fazer mais nada”.



    Escrito por Marco Celso Huffell Viola às 12h10
    [ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



    Retrospectiva

     Nossas elites, intelectuais, a mídia e o Estado


    Um policial rouba a jaqueta de um ladrão e rouba do ladrão, também, os tênis ainda suados dos pés de um recém-morto pelo ladrão em um local público. Se não houvesse câmaras registrando que o sujeito agonizante não recebeu socorro, pois o policial estava ocupado em roubar o ladrão e não chamou o socorro, o fato passaria desapercebido. E já está esquecido.  Aconteceu no mês de outubro de 2009 no Rio de Janeiro.Retornei a ele por que é caso emblemático.
    O acontecimento todo é de uma crueldade, de uma ferocidade, desumanidade tão terrível que só pode ser equiparado a um país em guerra e cujos valores estão completamente distorcidos.
    A música de Chico Buarque, Chame o Ladrão, hoje, seria perigosa.
    Um país mantido por uma elite apática e tão corrupta que não age-reage a nada que não retorne em benesses para si. E essa elite não é apenas a elite política, mas todo o grupo social organizado que tem condições fazer diferença nessa indiferença e brutalidade, como a igreja, as organizações sindicais patronais ou não, entre outras.
    O morto?
    Coordenador de projetos sociais do grupo AfroReggae Evandro João da Silva (1).
    Notícias do Rio de Janeiro, vejo tiros dentro da noite e algumas pessoas que residem na cidade.Dizerem:-Isso é coisa da Globo, não acontece onde estamos.
    -Mentira!
    Ou seja, se não acontece na sua janela ou na sua porta não existe.
    A apatia é contagiosa.
    Dois anos atrás, foi à vez da de uma pessoa ligada a um grande empresário do Sul.
    O Jornal Nacional falou dois dias e depois a notícia desapareceu.
    Vira notícia quando os crimes possuem repercussão.Quando São Paulo ficou a mercê de uma quadrilha, o fato virou documentário.
    Os pequenos crimes, diários, cometidos em todos os níveis, esses não saem no noticiário.
    A atitude de o policial roubar o ladrão é reflexo da impunidade, da apatia, da mediocridade organizada e mantida pela preguiça nacional burra e mal intencionada.
    A morte foi banalizada pelos apresentadores gritões do jornalismo sensacionalista - imbecil-marrom e do sofisticado casal que aparece bonito e limpinho, toda noite cujo noticiário é tão bonito e limpinho quanto eles, e não possui um editorialista confiável, sério, respeitado.
    Dio pai.
    Ninguém está a salvo nessa cidade e em nenhum cidade brasileira, nem quem procura melhorar a vida daqueles que nada têm com música, dança, informática ou daqueles que frequentam os mais altos escalões da República.
    Só há uma saída e não é o aeroporto e muito menos apagar a luz, a saída é o exílio.
    E deixar essa terra que sei abençoada por Deus pegar fogo, nas mãos eficientes daqueles que tem capacidade para fazer isso.
    Dos indiferentes, dos que lucram milhões com segurança. Porque tanto barulho com o castelo do deputado em Minas? Ele é apenas mais um que soube aproveitar o filão.Quantos castelos desse tipo proliferam pelo país? E não aparecem na mídia, protegidos atrás de um arsenal de seguranças e de muito dinheiro. As vezes um desses castelos é sacrificado para que todos os outros permaneçam sendo desfrutados, dessa vez foi o político mineiro.
    Não é ótimo ter escadas rolantes para o Cristo Redentor? Ótimo, até o dia que teremos que pagar pedágio a algum traficante para podermos subir até lá.
    Inversões de prioridades.
    E quem mantém isso?
    Os que viram as costas, os buscam apenas os interesses pessoais ou de seus grupos, e todos os que se disfarçam nas sombras atrás de organizações que sob o pretexto de proteger, integrar, auxiliar, defendem apenas o status quo de seus salários pagos com os impostos mais altos do mundo.
    Recomendo novamente o exílio.
    Se você possui um tênis qualquer de marca, só poderá usar ele no Uruguai ou Miami.
    Se você tem uma jaqueta mais ou menos, poderá usá-la tranquilamente num desses lugares ou ainda Nova Iorque.
    Pois saiba que sua vida aqui não vale nada.
    E os nossos intelectuais? Que até 1970 discutiam,analisam, pensavam esse país,onde andam?
    É difícil dizer quantas vezes, em nossa história, os intelectuais se ajoelharam diante da corte.
    E ela continua, firme, poderosa, lotando as repartições públicas de burocratas felizes no tráfico de influência, que precisa ser legalizado, já que é prática, por que não legalizar o lobby? Em vários países é um negócio como qualquer outro. Assim,como está termina sendo sempre mais caro para o contribuinte.
    Nelson Werneck Sodré registra o nome de alguns intelectuais adesistas no período do império.
    Não se engane,o que se faz hoje também permanece.
    É possível sim, citar nomes que muito próximos da mídia e do Estado agem apenas também para manter seus privilégios.
    Para aqueles que não querem o caminho do exílio só existe outro caminho, tentar fazer com que esse jogo seja diferente.

    1)Fundado em 1993, o Grupo Cultural AfroReggae (GCAR) é uma organização não governamental que oferece atividades socioculturais para jovens moradores de favelas como forma de fortalecer sua auto-estima, contribuir para a construção de sua cidadania e, com isso afastá-los dos caminhos da violência, do narcotráfico e do subemprego.(texto do site)
    http://www.afroreggae.org.br/institucional/



    Escrito por Marco Celso Huffell Viola às 16h55
    [ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



    Os quatro

     O quatro sábios  da RBS  e dinheiro para o Açorianos

    O recente episódio que terminou na retirada do prêmio Açorianos de Literatura foi emblemático.

    Mostrou que mesmo com todo o apoio de mídia, um servidor público tem obrigação de explicar suas atitudes aos cidadãos aos quais deve seu cargo. E podemos exigir dele esse tipo de atitude, pois não existe fortaleza nenhuma atrás de qualquer veículo de comunicação que o mantenha isento disso.

    As justificativas dadas pelo secretário para retirada do prêmio ainda foram frágeis.

    Um dos motivos apontados por ele é que “não ficaria bem, para transparência do evento”.

    Esse não ficar “bem” me parece um tanto forçado quando se trata de algo absolutamente errado, senão irreal e talvez eticamente imoral, o ato da organização pública premiar a si mesmo por algo que faz parte de sua obrigação realizar. Até o ano passado o regulamento do Açorianos não permitia a participação de funcionários da Prefeitura.

    E não foi uma “menção honrosa” que a Maratona recebeu, como frisou o secretário em entrevista a Bandeirantes, foi o prêmio Açorianos.

    A explicação sobre a escolha de jornalistas “por notório saber” também deixa a desejar quando o secretário afirma em entrevista de tv que deverá ser mais cuidadoso na escolha dos integrantes nos próximos anos, escolhendo jornalistas também de outros veículos. Parece que não houve a percepção dele de que não se trata da participação equânime de veículos de comunicação, mas da forma privilegiada que isso foi feito.

    Curiosamente os quatro sábios (“notório saber”) pertenciam, esse ano, a um único veículo de comunicação, ingenuidade na escolha? Falta de atenção, esse ano, do secretário para o assunto?

    Quero crer que ele foi mal assessorado.

    Entre dos quatro sábios (“notório saber”) da RBS que participaram do evento, um deles, além de jurado foi premiado.

    Aqueles que participam como jurados podem ser premiados, mesmo que seja em categorias diferentes? Proponho que essa regra faça parte do regulamento do prêmio, se não estiver lá.

    Mas afinal, existe um regulamento do Açorianos ou mudam-se as regras a cada ano?

    Seguramente essa foi a única vez em toda a história de um prêmio, em caráter nacional, que ele é retirado pela comunidade cultural do Estado cansada de ver atitudes parciais do poder público como essa, que na busca da promoção pessoal esquece seus deveres para com a sociedade a quem deve sempre explicações.

    O secretário também promete que até 2012 algumas categorias do Prêmio Açorianos serão contempladas em dinheiro.

    Apenas promessa?Ou uma realidade para deixar todos os próximos concorrentes à premiação felizes? Acenar com recursos será uma boa atitude de quem foi colocado em um cargo público para ter ou exercer uma política cultural, ou cultura? Me sinto desrespeitado quando o poder público usando a prerrogativa de ter recursos na mão, que não são seus, os usa para prometer algo que talvez não possa cumprir.

    Com relação a isso é preciso questionar alguns aspectos, porque a poesia deverá só receber a premiação em 2012 e não em 2010?Porque não todas as categorias? Quais foram os critérios que nortearam essa escolha e, de onde sairão os recursos para tanto, que até agora não existiam?

    Para concluir gostaria de cumprimentar os jornalistas Felipe Vieira e Lúcia Mattos na demonstração que deram de que existe a possibilidade da realização de um jornalismo sério, responsável e que isso, em última análise, é o pleno exercício da cidadania que não se curva diante do poder exercido pelo Estado e nem dos poderosos veículos de comunicação.

    Parabéns a todos que estiveram nessa batalha.

    Em tempo: nenhum veículo da RBS noticiou a revogação do prêmio.

    Marco Celso Huffell Viola

    Fontes: Correio do Povo 18 de dez de 2009

    Jornal da Bandeirantes – 19 h horas 17 de dezembro 2009

     



    Escrito por Marco Celso Huffell Viola às 18h22
    [ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



    Maratona perde Prêmio Açorianos

    Pela primeira  vez que se tem  notícia nessa país um prêmio literário importante é dado  retirado, as razões podem ser entendidas pela notícia abaixo e o histórico do fato.

     

     Notícias  e histórico

    link para matéria de tv

    http://www.bandrs.com.br/bandtv/index.php?n=11349&p=0

    Correio do Povo

    Arte & Agenda > Variedades

     

    17/12/2009 20:54 - Atualizado em 17/12/2009 20:58

    Destaque em prêmio Açorianos é revogado

    Quatro dos jornalistas jurados eram da mesma empresa de comunicação

    Depois de um início de polêmica, o prêmio Açorianos de Destaque em Projeto de Incentivo, Promoção e Divulgação da Literatura, concedido ao projeto Maratona Literária, da Coordenação do Livro e Literatura da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre foi revogado na tarde de hoje pelo secretário municipal de Cultura, Sergius Gonzaga. “Decidimos tirar dos registros dos vencedores este projeto porque achamos que não ficaria bem para a transparência do evento”, revela Gonzaga.

    O secretário esclarece que a escolha foi espontânea do corpo de 27 jurados e que irá enviar uma carta a eles, explicando os motivos do declínio. “Não havia impedimento no regulamento, mas decidimos não aceitá-lo”, ressalta. Em 1995, a revista Porto & Vírgula havia ganho o prêmio Destaque em Mídia Impressa.
    Sergius Gonzaga disse que por falta de cuidado na escolha dos jurados, quatro dos jornalistas convidados eram da mesma empresa de comunicação, mas que isso não refletiu diretamente em nenhuma das escolhas. “A escolha dos jurados é por notório saber, não pela empresa que representam”, explicou.

    Ele anunciou, ainda, que o prêmio Açorianos de Literatura terá prêmio em dinheiro nas próximas edições. A categoria Conto receberá um valor a ser confirmado em na edição de 2010, a Narrativa Longa, em 2011 e a Poesia, em 2012.

    Correio do Povo link da notícia

     

    http://www.correiodopovo.com.br/ArteAgenda/?Noticia=72989





    Amigos

    O Secretário Sergius Gonzaga informou  na tarde de hoje (17 dez) a
    Band News e a jornalista Lucia Mattos que iria cancelar a premiação do
    Açorianos  2009 a Maratona Literária, em função desta ser uma
    atividade realizada pela própria secretaria e portanto não poderia ser
    premiada.
    Com essa atitude o secretário demonstra que está atento as ponderações
    que fizemos no texto sobre essa premiação e contou com apoio de vários
    intelectuais.

    Textos abaixo, na ordem de seu envio:

    ----- Original Message -----
    From: Marco Celso H.Viola
    Sent: Wednesday, December 16, 2009 3:22 PM
    Subject: Maratona Literária-quando o Estado premia a si mesmo



    Prêmio Açorianos- de 2009 *

    Percebe-se  que não  existe nenhuma iniciativa  importante  na área do
    livro por parte do Estado, nesse caso o muncípio, quando ele premia a
    si mesmo por ter feito ou fazer aquilo que é sua obrigação. O Prêmio
    Açorianos desse ano revela isso, a premiação da Maratona Literária
    como "promoção e Divulgação da Literatura em Poto Alegre"-, a partir
    de indicação espontânea.
    Segundo consta existe um corpo de jurados para julgar as diversas
    categorias do Prêmio Açorianos e a essa, esse ano, soma-se uma curiosa
    "indicação expontânea".
    Depois de não ter recebido o Fato Literário de 2009, apesar do esforço
    realizado junto a a urnas colocadas na Feira do Livro e fora dela -com
    funcionárias da Divisão do Livro destacadas para buscar votos junto
    aos frequentadores da Feira (se não me engano o dinheiro que paga esse
    pessoal é dinheiro de impostos) - percebe-se que existe por parte da
    direção da atual Divisão do Livro bem como adminstração  cultural do
    muncípio a busca de  promoção pessoal e de suas atividades e a
    inexistência total de um plano para a cultura de Porto Alegre onde
    repetem-se iniciatavas antigas como o Baile da Cidade- cujos custos de
    um único dia ultrapassam  o valor do orçamento anual do Atelier Livre
    da Prefeitura.
    Até quando os intelectuais desta cidade vão permanecer integrando-se em
    atividades como essas sancionando-as sem nenhuma discussão?
    Está na hora de começar a dizer basta para o cumpadrio, para aqueles
    que  fazem do dinheiro público escada para carreiras nem sempre bem
    explicadas ou com currículo para exercê-las.

    Marco Celso Huffell Viola

    *Fonte a notícia do site da SMC- Porto Alegre



    Em 16/12/09, Celso Sant Anna<celsoluizsantana@hotmail.com> escreveu:

     Prezado Marco e demais

     As políticas em âmbito da capital e do governo do Estado na área da Cultura
     não respiram o que é feito no teatro, música, poesia e por aí vai. Sabe,
     índio véio, é de desanimar. Nós que transitamos pela construção diária e de
     formiguinha no mundo das artes, não estamos em consonância com os "grandes
     projetos" reforçados por setores da mídia que associam o fazer cultural com
     sucesso. Sucesso esse, que está a serviço de reforçar um status quo, sem um
     mínimo de questionamento. Há, praticamente, uma censura velada ao diferente.
     O que vale é o grande, com ampla repercussão, e o tradicional, ambos com a
     função de reforçar valores cristalizados. Existe espaço para todos, mas
     quando Cultura é um valor tratado pelo enfoque da diversão apenas, aí é
    preciso refletir.

     Buenas, acho que peguei leve.

     Abraços

     Celso

     Lembre-se:
     O meu pensamento vivo você encontra em:
     http://twitter.com/CelsoSantAnna


    ----- Original Message -----
    From: "Renato Motta" <renato.mattos.motta@gmail.com>
    Subject: Re: Maratona Literária-quando o Estado premia a si mesmo


    Amigos,

    Faço minhas as palavras do Celso! Não apenas é vergonhosa e imoral a
    busca de autopromoção através do aparato público. Acho importante
    ressaltar que "aquilo que é obrigação" de uma secretaria de Cultura ou
    uma Divisão desta secretaria fazer não pode ser passível de premiação
    por esse próprio órgão, ainda mais quando quando a obrigação não é
    cumprida e o serviço resulta mal feito.

    Do que falo?

    Falo de um evento que conheci, tendo participado das primeiras 2 ou 3
    edições, que supostamente deveria "promover e divulgar a literatura em
    Porto Alegre", que aconteceu no Centro Municipal de Cultura, local de
    baixa circulação de populares, reunindo um grupo seleto de literatos,
    artistas plásticos, músicos e membros da "inteligentzia"
    portoalegrense para lerem "Cem Anos de Solidão", "A Metamorfose", "Os
    Ratos" ou "On the Road", livros que - assim como eu - a maioria
    daquelas pessoas já leu há mais de 30 anos... quando percebi que o
    referido evento não passava de um convescote de notáveis para ver e
    ser visto, que não produzia efetivamente qualquer contribuição
    cultural, deixei de frequentar. Ainda mais quando tive o desprazer de
    ver as funcionárias da Divisão do livro em plena tarde de um dia de
    semana empenhadas em arregimentar votos populares para fazer da
    Maratona o "Fato Literário" em detrimento de outros projetos que me
    pareceram muito mais meritórios e conseqüentes...

    Não conseguiram o Prêmio Fato Literário. Fazer o que? Usar o Prêmio
    Açorianos? Este não há como perder, é só mexer pauzinhos, criar uma
    "indicação espontânea". Não interessa se isto pode denegrir a imagem
    de um prêmio que até hoje era tido como digno de respeito. Não
    interessa se  a ética mandaria recusar mesmo se o júri tivesse sido
    realmente espontâneo ao dar esse prêmio. Interessa a satisfação das
    vaidades. Interessa a autopromoção. O odor do incenso aceso em causa
    própria, o gozo de ganhar um prêmio pela própria mão.

    E a Cultura, a verdadeira cultura de Porto Alegre?

    Esta precisa mendigar verbas, esmolar uma centena de cartazes daqui,
    um xerox dali, ao custo de colocar medalhas de apoio em eventos sérios
    que o poder público apenas finge apoiar

    --
    Renato de Mattos Motta
    poeta, artista plástico, publicitário
    (51) 3024-6221
    (51) 9237-5646



    De: mar.rio <mar.rio@terra.com.br>
    Assunto: Re: Re: Maratona Literária-quando o Estado premia a si mesmo

    Data: Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009, 15:53



    Olhem, amigos,
    nosso querido bardo Quintana já dizia que o problema da literatura
    gaúcha era a "semostrância".

    Agora, mais esta atitude coronelista da administração de Porto Alegre,
    uma cidade abandonada aos buracos e descuidados.

    Como escritor, infelizmente, não posso me valer de entidade alguma
    para discutir sobre isso.
    Posso falar por mim, e devo pedir esclarecimentos aos envolvidos, como
    cidadão, mas na possibilidade de uma resposta não acredito. Acredito
    nas pessoas, não dou crédito aos trocados negociados por algumas.

    Não poderia esperar nada menos insólito da secretaria de cultura de
    Porto Alegre, uma cidade atirada aos descalabros.

    Sem que estejam lançados os dados do imaginário, todo e qualquer
    sistema político é ineficiente e precário.

    Ainda, e além, há quem queira que esse estado de coisas tome assentos
    no palácio do Governo Estadual.

    O senhor do tempo nos livre disso, a nós, poetas, atores, dançarinos,
    artistas visuais, músicos e habitantes desta cidade cercada por muros.

    Resta rogar ao Papai Noel que devolva o bom senso ao momento e ao
    movimento criativo da província. Papai do Céu não irá tratar dessas
    egolatrias.

    Corpo Santo e Sepé Tiaraju, estavam certos: esta loucura tem dono!

    Mario Pirata
    poeta & brincadeiro
    Estrada Luiz Bettio, 70
    (Chapéu do Sol, Belém Velho)
    Poa, RS, CEP 91787-110
    (51) – 98144841

    http://mariopirata.blogspot.com/

    ..

     



    Escrito por Marco Celso Huffell Viola às 16h44
    [ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



    Revogado o Prêmio Açorianos 2009 para Maratona Literária

    O texto abaixo iniciou a discussão virtual e com os veículos de comunicação de Porto Alegre que resultou na retirada do Prêmio Açorianos de Literatura para a Maratona Literária de 2009-na categoria de incentivo a leitura, pelo secretário Sergius Gonzaga.


    Prêmio Açorianos- de 2009 *

    Percebe-se que não existe nenhuma iniciativa importante na área do livro por parte do Estado, nesse caso o município, quando ele premia a si mesmo por ter feito ou fazer aquilo que é sua obrigação. O Prêmio Açorianos desse ano revela isso, a premiação da Maratona Literária como "promoção e Divulgação da Literatura em Porto Alegre"-, a partir de indicação espontânea.
    Segundo consta existe um corpo de jurados para julgar as diversas categorias do Prêmio Açorianos e a essa, esse ano, soma-se uma curiosa "indicação espontânea".
    Depois de não ter recebido o Fato Literário de 2009, apesar do esforço realizado junto a a urnas colocadas na Feira do Livro e fora dela -com funcionárias da Divisão do Livro destacadas para buscar votos junto aos frequentadores da Feira (se não me engano o dinheiro que paga esse pessoal é dinheiro de impostos) - percebe-se que existe por parte da direção da atual Divisão do Livro bem como administração cultural do município a busca de promoção pessoal e de suas atividades e a inexistência total de um plano para a cultura de Porto Alegre onde repetem-se iniciativas antigas como o Baile da Cidade- cujos custos de um único dia ultrapassam o valor do orçamento anual do Atelier Livre da Prefeitura.
    Até quando os intelectuais desta cidade vão permanecer integrando-se em atividades como essas, sancionando-as sem nenhuma discussão?
    Está na hora de começar a dizer um basta para o cumpadrio, para aqueles que fazem do dinheiro público escada para carreiras nem sempre bem explicadas ou com currículo para exercê-las.

    Marco Celso Huffell Viola

    15dezembro-2209

    *Fonte da notícia do site da SMC- Porto Alegre-
    link para a noticia
    http://www.correiodopovo.com.br/ArteAgenda/?Noticia=72989


    Escrito por Marco Celso Huffell Viola às 12h05
    [ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



    A diferença entre produtor cultural e despachante cultural

                 

    Aonde são aplicados os milhões que a Cultura e o Esporte recebem das loterias?

    As leis de incentivo a cultura, tanto nacionais como regionais (Lei Rouanet e leis de incentivo a cultura) terminaram por criar uma nova profissão que por falta de uma melhor designação passou a ser chamado de “produtor cultural”. Mas, na verdade, esses “produtores culturais” nada mais faziam/fazem do que preencher corretamente a papelada que visa encontrar a liberação legal para que o verdadeiro produtor cultural possa arrecadar recursos ou das empresas ou do sistema de financiamento estatal, sem nenhuma garantia de efetividade. A correção dos dados exigidos pela lei não significa o acesso à verba.
    A atividade, na maioria das cidades brasileiras onde a cultura não possui recursos e necessita de financiamento, para fazer livros, jornais, revistas, cinema, teatro,etc, virou um negócio mantido por especialistas capazes de enfrentar a papelada com as absurdas exigências legais (que não eliminam o suborno, o lobby, a transferência de recursos para as mesmas empresas que dizem financiar os projetos culturais) e pago com percentual dos recursos arrecadados, quando não antecipadamente.
    Com relação aos milhões que a Cultura e o Esporte recebem das loterias, por exemplo, não se tem uma prestação de contas, pública, efetiva para a sociedade da aplicação desses recursos, enquanto isso os verdadeiros produtores culturais, aqueles que produzem cultura, têm que ficar na mão desses “especialistas nos meandros burocráticos” para depois mendigar junto a empresas e instituições e assim conseguir realizar o seu trabalho de produzir cultura, quando conseguem vencer a barreiras de gerentes e marketeiros de plantão que manipulam o chamado dinheiro público. Convém começarmos a estabelecer a diferença entre produtor cultural e o mero despachante cultural, (é preciso enfatizar várias vezes isso), o produtor cultural é o que produz cultura, o outro, o despachante cultural é o indivíduo especialista que sabe como preencher a papelada para conseguir ter acesso a liberação das verbas públicas ou leis de incentivo.
    Também os apressados em dar designações simples, associam esse despachante ao produtor de cinema, teatro, e até de televisão, nada mais incorreto, o produtor, aquele que produz, reúne elenco, busca recursos, etc, corre riscos sempre, enquanto o único risco do despachante cultural pode ser uma vírgula mal colocada na papelada exigida pelo sistema burocrático, sem falar que recebe antecipadamente pelo serviço. Então, para caracterizar melhor essa função é importante distinguir: O produtor cultural corre riscos, o despachante não tem risco.
    O despachante é uma profissão digna e que existe em vários áreas sociais, em Estados excessivamente burocratizados e que sobrevivem como, despachantes aduaneiros, de papéis para trânsito, contadores -que preenchem o imposto de renda-, etc ou seja é aquele sujeito que conhece os meandros burocráticos e preenche a papelada necessária para que essa ou aquela atividade possa ser realizada dentro da lei.O despachante cultural definitivamente não produz cultura, quem produz cultura é quem faz cultura.

                            



    Escrito por Marco Celso Huffell Viola às 22h27
    [ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



    Worksopa de Letras

    O Porto Alegre dá Poesia acontece pelo segundo ano em março de 2009, o encontro que reúne poetas de Porto Alegre, além de resgatar a obra de alguns poetas que já exerceram sua arte na cidade também abre espaço para os contemporâneos.Esse ano, no encerramento acontece o I Worksopa de Letras, uma mistura de ritmos, falas, dizeres, amostragens pessoais e impessoais dos poetas presentes ou até os ausentes se na mesa de trabalhos baixar algum.Informações sobre a programação no http://portopoesia2.blogspot.com


    Escrito por Marco Celso Huffell Viola às 22h27
    [ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



    O Novo Clássico e as novas lógicas

    Esse texto foi utilizado em duas palestras, na Feira do Livro de novembro de 2007 e no Porto Alegre dá Poesia em março de 2008 e faz parte dos livros Poesia Política e o Livro Negro dos Bardos, do autor.


    O século XX foi pródigo em mudanças não apenas na arte, mas ideológicas, políticas, sociais e tecnológicas que alteraram a face do mundo. As grandes mudanças que, na arte, começaram a ocorrer já no final do século XIX desaguaram todas no século XX.
    Já falei aqui sobre a não existência de uma nova poesia, mas de uma poesia contemporânea e o meu completo desprezo pelas análises literárias classificatórias não apenas na poesia, mas na arte em geral, que segue os modelos mecanicistas dos enciclopedistas franceses do século XVII e suas derivações sociológicas.
    Hoje, todos os professores bem sentados em suas cátedras, e críticos de arte, em sua totalidade têm, (quando tem, a maioria não tem nada )dois modelos de análise ou duas bíblias - uma, a do sociólogo húngaro Arnold Hauser,aluno de Bérgson e freqüentador do círculo de Lukács e o seu falho História Social da Literatura e da Arte (2 volumes ed. Mestre Jou)- todos, eu disse todos, os livros de formação em uso no segundo e terceiro grau no Brasil utilizam as conclusões sociológicas de Hauser como base teórica para análise artística seja literária ou não, aliás,a obra de Hauser por seu fôlego, ele passou dez anos pesquisando e mapeia de forma bem eficiente a arte européia, é utilizada como base teórica não só no Brasil) e com relação a literatura, a segunda bíblia é novo Literary Criticism do tcheco norte-americano René Welleck (1915-1978) Livro - Teoria Da Literatura E Metodologia Dos Estudos- Ed.Martins Fontes- esse último, Walleck, criou as distinções entre história literária, literatura comparada e critica literária do que antes dele era tudo metido no mesmo formulário, ele também, não é só usado no Brasil.
    Em entrevista realizada recentemente, o autor do Ócio Criativo, Domenico Di Masi[1], afirma que no século XX o conceito de beleza foi destruído e cita como exemplo um quadro de Mondrian:” como podemos saber se é feio ou bonito? diz ele - já que esse conceito foi destruído”.
    Domenico ao fazer esta afirmação corrobora a sua formação de sociólogo, europeu formado nas barbas de Hauser e completamente equivocado. O século XXI não rompeu com o conceito da beleza, ao contrário, acrescentou novas visões/padrões a noção de beleza.
    A grande questão nisso é que arte no século XX rompeu foi com o clássico, mas não rompeu completamente com o acadêmico. E o acadêmico não rompeu com a arte, adaptou seus os seus pré-conceitos.
    E a questão retorna, a visão acadêmica se mantém através da tradição universitária. E, esta por sua vez está ligada na formação clássica e nesse aspecto não houve nenhuma grande mudança, nenhum grande rompimento.
    Um natural da pré Itália de Domenico, Horacio Flaco[2] já possuía preocupações semelhantes quando falava sobre as relações harmônicas que devem existir em uma obra e arte e utilizando a poesia e as artes visuais como exemplo:

    Harmonia e proporção entre as partes da obra poética


    Se um pintor à cabeça humana unisse
    pescoço de cavalo e de diversas
    penas vestisse o corpo organizado
    de membros de animais de toda a espécie,
    de sorte que mulher de belo aspecto
    em torpe e negro peixe rematasse
    vós, chamados a ver esta pintura,
    o riso sofreríeis? Pois convosco
    assentai, ó Pisões, que a um quadro destes
    será mui semelhante aquele livro
    no qual idéias vãs se representam
    (quais os sonhos do enfermo), de tal modo,
    que nem pés, nem cabeça a uma só forma
    convenha. De fingir ampla licença
    ao poeta e pintor sempre foi dada.
    Assim é; e entre nós tal liberdade
    pedimos mutuamente, e concedemos;
    mas não há de ser tanta, que se ajunte
    agreste çom suave, e queira unir-se
    ave a serpente, cordeirinho ao tigre.
    [3]


    Toda a obra de Horácio estava ligada ao clássico, por isso sua critica contundente a tudo que não obedece aos padrões da arte clássica, já naquela época.
    Alexandre Baumgarten (1714 –1762) filósofo alemão, discípulo de Leibnitz, em seu Meditações Filosóficas sobre Alguma Questão da Obra de Arte de 1735- é quem designa pela primeira vez o termo estética e dá a ele o sentido que deveria ter , mas não tem: “visão que trata do conhecimento sensorial capaz de possibilitar a apreensão do belo através das imagens da arte, em contraposição a lógica do intelecto”.
    A estética, ao retirar a lógica do âmbito da análise da obra de arte, deveria retirar os conceitos de feio ou bonito, bem ou mal ou qualquer outra visão maniqueísta baseada na lógica aristotélica, do terceiro excluído, mas não é o que acontece, basta reler a opinião de Domenico Di Masi.
    A responsabilidade pelo não entendimento, compreensão e análise apressada que sofre a obra de arte a partir do século XX se deve a esse fator, a formação clássica em contraposição a uma arte que rompeu com o padrão clássico. Ou seja, você analisa de forma clássica algo que não é mais clássico, onde ainda estão envolvidas as noções defendidas por Horácio de ritmo, proporção e harmonia.
    E ai, você tem críticos, professores enfiando na obra de arte essas noções clássicas sob o ponto de vista do realismo socialista, do socilogues,de visões cienticifistas da recorrência do fenômeno, etc.
    Então, pergunto: adianta separar história literária,literatura comparada e critica literária se a visão critica seja qual for utiliza a antiga lógica aristotélica clássica, bom ou ruim, feio bonito etc, mesmo camuflando através de textos pretensamente eruditos, mas profundamente adequados a formação clássica?
    Não.
    Enquanto do lado ocidental os padrões do clássico eram rompidos o mesmo não ocorreu com a arte oriental que se manteve ligada as suas tradições também ancestrais, mas ao cair nas mãos desses tradutores, professores, críticos, eles tentam aplicar a mesma lógica de análise empregada para identificar a obra de arte ocidental.
    É bom começar a saber, esses teóricos do passado, que no século XX surgiram novas lógicas, como a do lógico brasileiro Newton da Costa- lógica paraconsistente que admite a noção de conceitos incertos e contraditórios e a lógica fuzzy (lógica difusa) criada pelo professor de computação da universidade da Califórnia, o norte-americano/irianiano Lotfi Asker Zadeh - que admite conceitos difusos como, por exemplo: o dia hoje está nublado, em vez do dia está claro ou escuro, feio ou bonito.
    Ambas as lógicas derivam da lógica clássica, e se precisamos de lógica para buscar entender o mundo que vivemos ou a arte, é necessário saber que a lógica aristotélica teve o seu prazo de validade estourado para a análise da arte. O século XX a esgotou, assim como a análise cultural social, baseada nela.E não há bobagem nenhuma de pós modernidade que a recupere, outro termo derivado do padrão de discurso mecanicista clássico.
    Acredito que século XXI traga uma nova visão que, talvez, se torne um novo clássico buscando através dessas novas lógicas, a soma que houve na arte, da visão clássica com a ruptura ocorrida no século XX.
    Alguém é capaz de dizer que não reconhece as contribuições ao teatro de Samuel Beckett e Eugene Ionesco? O teatro de ambos conviveu de forma harmoniosa com o teatro de Brecht, no século XX, assim como a obra de Joyce e Tomas Mann.O mesmo aconteceu com as artes visuais.
    E a poesia? Os primeiros estertores do clássico começaram a ocorrer no final do século XIX com Rimbaud, Baudelaire, etc. Marineti, em 1907 deu o passo seguinte, ou o pontapé seguinte, depois vieram os dadaístas e os surrealistas, esse último capitaneado por André Breton, que depois terminar com o que havia e propor novas formas, objetos para apoiar o texto, reuniu-se em torno do realismo socialista.
    Nada de novo surgiu na sequência, modernismo, concretismo e os outros ismos, poesia praxis, etc. foram derivações dessas vanguardas.Deixo claro aqui que não estou fazendo nenhuma apreciação sobre o conteúdo desses autores e sim dos movimentos.
    Sobreviveu o paradoxo: o que é importante? Se tudo é importante?Onde está a nova harmonia? O novo ritmo, a nova proporção?
    Inexistem, porque torna-se impossível aplicar em algo que não obedece a esses parâmetros, sobra então para a análise, o conteúdo, esquecendo a forma e o historicismo.
    O soneto clássico sobreviveu, assim como o verso livre, como a rima pobre e rica junto com os poemas objetos,o poema piada,etc.
    Ao esquecer a forma é necessário também esquecer a linguagem,[4] alguns sonetos de Camões são tão belos quanto eram no século XVI,apesar da linguagem hoje ser outra.
    Sobra, então o conteúdo, volto a repetir.
    Se é bom ou mau, se está de acordo com essa ou aquela escola, não importa.
    É preciso separar a lógica da razão clássica da, talvez, ilógica compreensão da arte ou arte tenha sua lógica própria no que só ela pode acrescentar ao homem em sua relação com o universo.


















    [1] Conexão internacional
    [2] Quinto Horácio Flaco ( Quintus Horatius Flaccus) (Venúsia, 8 de Dezembro de 65 a.C. — Roma, 27 de Novembro de 8 a.C.) poeta lírico e satírico romano e filósofo.cConsiderado um dos maiores poetas da Roma antiga- O texto chamado Arts Poética tem como título original Epístola aos Pisões (cidade romana situada hoje no território de Portugual)
    [3] Tradução Cândido Lusitano
    [4] Não se trata aqui de analisar o avanço diacrônico da língua.


    Escrito por Marco Celso Huffell Viola às 22h11
    [ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



    O maior poeta brasileiro de todos os tempos?

    O texto acima aprofunda mais o assunto desse blog.

    Em artigo publicado no jornal Zero Hora dia 18 - 9 -2007 * A Dura Vida de Poeta, o professor Luis Augusto Fischer ao falar de poesia cai na vala comum dos críticos maniqueístas oriundos das escolas de análise, quando não historicistas-sociológicas derivadas Arnaldo Hauser [1], usam a lógica maniqueísta aristotélica e não procuram ou não sabem observar as distinções entre história literária, literatura comparada e crítica literária, criadas a partir dos trabalhos do tcheco-norte-americano René Welleck [2] (1915-1978), que gerou campos de estudos distintos e uma ciência da literatura do que antes era uma unidade na “Literary Criticism” ou Literatura Crítica.
    No texto, o professor Fischer, usa a lógica aristotélica do terceiro excluído.
    Nessa lógica binária, só cabem dois parâmetros: bom ou mau; melhor ou pior; fácil ou difícil – etc.
    Segundo ele afirma no artigo :“ao contrário das outras artes, a poesia sozinha, sem a parceria da música e/ou da performance teatralizada, é uma atividade sublimamente difícil”.
    Ele fala como se poesia fosse uma atividade que necessitasse de complementaridade para se tornar fácil.
    Eis a lógica maniqueísta:fácil x difícil.E a confissão da quase impossibilidade de compreender a poesia.
    E continua: “Do ponto de vista mais cético, (?sic) se poderia dizer que assim é porque os poetas não tem a habilidade de formar a sua audiência, por deficiência própria, porque os bons a encontram.”
    Não é uma maravilha de frase?
    Uma generalização completa (quem seriam os deficientes, os bons, quem seriam os poetas?Todos os poetas?).
    Haveria poetas bons? Porque o uso do plural aqui? Ele considera apenas um poeta como o maior poeta brasileiro de todos os tempos. Que outros poetas, segundo ele teriam essa audiência?
    Fischer parece que não lê poesia, ou se lê não a entende ou ainda, não se esforça para entender, há uma outra confusão sobre a questão da audiência, outra simplificação.
    Do ponto de vista histórico, a poesia subsistiu oralmente durante séculos, foi à base e viga mestra de todos os outros gêneros literários incluindo o teatro (a teatralização da poesia já existia no início dela, sendo caminho natural da mesma), o romance e o que derivou deles.
    Qual seria a audiência de um Homero? De François Villon? De um Dante de Alighieri? Lamentável essa visão que desloca a análise para a poesia de audiência,como se poesia fosse mais uma questão de ruído e mídia, como se o importante estivesse no volume ( nos dois sentidos, volume de quantidade e audiência, de áudio) e não na qualidade ou outro fator um tanto “mais” nobre, como a cultura, por exemplo.

    Existe várias simplificações, no texto, absurdas para alguém que escreve, o autor do artigo pergunta "quem são os antagonistas relevantes de agora"?Referindo-se a criação poética de Drumond que enfrentou "inimigos" como o parnasianismo, etc. o professor esqueceu as aulas referentes ao modernismo e a profunda sensibilidade do poeta.
    Como se o enfrentamento de algum movimento ou o que quer que seja provoque a verdadeira criação poética.
    O que os poetas hoje tem a enfrentar?
    Criticos como esse,talvez seja uma boa resposta.
    A leitura livresca do autor do artigo parece ser um tanto rala, pequena, pois ao considerar “Carlos Drumondd de Andrade o maior poeta brasileiro de qualquer época”, enfatiza no texto uma visão pessoal empobrecedora da literatura brasileira num reducionismo lamentável para um professor, que esquece os grandes poetas que fizeram nossas letras e, como via de consequência estão nos pilares desse país, possibilitando que tivéssemos fala própria (identidade) como Gregório de Mattos Guerra, Gonçalves Dias e sua Canção do Exílio, Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Manoel Bandeira,Cecília Meirelles,Vinícius de Moraes, João Cabral de Mello Neto, o nosso Mario Quintana e tantos outros...

    Poesia é um gênero literário que não se mede utilizando os mesmos instrumentos com os quais se mede as três dimensões, estatística é outra área e lógica simples e reducionista também.
    Uma boa sugestão para o professor Fischer é remeter o nome de Drumondd para o Guineses Book incluí-lo como “ o maior poeta brasileiro de qualquer época”, para ver se eles o registram assim.
    Difícil.
    Eles, no mínimo, teriam o bom senso de procurar equipará-lo a outros poetas brasileiros.





    [1] Arnold Hauser-História Social da Literatura e da Arte Ed. Mestre Jou- São Paulo 1982
    2 René Walleck e Austin Warren -Teoria da Literatura -Ed. -America-Portugal-Lisboa -1972
    A reprodiução do artigo pode ser encontrado no blog


    Escrito por Marco Celso Huffell Viola às 21h58
    [ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



    PortoPoesia lança parceria com o Shopping TOTAL

     

    Na ocasião foram apresentadas as novidades da segunda edição do festival de Poesia de Porto Alegre, que ocorre de 06 a 12 de outubro de 2008. Além disso, também foi lançado também a primeira edição do jornal PortoPoesia Literatura & Arte.

     

    No dia 16 de julho foi  lançado a segunda edição do PortoPoesia – Festival de Poesia de Porto Alegre, com apresentação das novidades que o evento traz neste ano, entre elas, a parceria com o Shopping TOTAL, que sediará toda sua programação. Esta parceria foi oficializada durante o evento, com assinatura de termo de colaboração entre a organização do festival e representantes do Shopping.

    A parceria entre o PortoPoesia e Shopping TOTAL se insere no novo conceito do Shopping, em valorizar a cultura, iniciado com o projeto de Lifestyle que está transformando o conjunto de prédios tombados da antiga Cervejaria Bopp, em espaços para diversas expressões da arte, com operações exclusivas distribuídas em alamedas e largos temáticos. De acordo com Marco Celso H. Viola, um dos realizadores do evento, essa parceriadesacraliza a poesia, tirando-a de dentro das livrarias e colocando-a num  dos espaços mais tradicionais e belos da cidade, ao alcance de todos os públicos”.

    Durante o evento, também foi lançado primeira edição do jornal PortoPoesia Literatura & Arte, uma publicação cultural que visa resgatar a tradição do jornalismo literário no Estado, abrindo espaço para a divulgação da produção local. O jornal possui um Conselho Editorial, composto pelos gestores do PortoPoesia, que elegeu três gêneros prioritários para publicação: poesia, conto e ensaio. O jornal, em formato tablóide, possui 12 páginas e terá periodicidade mensal e distribuição gratuita.

     

    A segunda edição do festival PortoPoesia será realizada de 06 a 12 de outubro de 2008 e contará com uma programação intensa que contempla 12 palestras, 22 sessões de leituras de poesia, 4 rodas de poesias para crianças, 14 performances, 11 debates, 12 espetáculos, 10 oficinas, diversos lançamentos, sessões de autógrafos, saraus, apresentações livres, sessões de cinema e exposições de acervos, entre elas uma Mostra Nacional de Revistas de Poesia. Serão 10 horas diárias de atrações totalizando 85 apresentações em 70 horas de atividades culturais. A organização estima a participação de mais de 8 mil pessoas, durante o evento. Até o momento, mais de 50 profissionais da área da cultura e poetas confirmaram suas presenças no comando das atividades, entre eles, Armindo Trevisan, Donald Schüller, Alcy Cheuiche, Lau Siqueira, Luiz Coronel, Oliveira Silveira, Paulo Custódio, José Eduardo Degrazia,Mario Pirata, entre outros. O evento acontecerá em diversos espaços do Shopping Total. Como na edição anterior, a programação é gratuita e aberta ao publico.

     O PortoPoesia é um festival de poesia concebido da união dos poetas locais, com o objetivo de abrir espaço para as produções gaúchas e tornar conhecido este importante gênero literário, a fim de democratizar a informação literária em Porto Alegre. A idéia é mobilizar pesquisadores, professores universitários, escolas de ensino médio, tradutores de poesia, profissionais do teatro, músicos, artistas plásticos, letristas, e poetas convidados, propiciando o acesso à cultura e educação, estimulando o desenvolvimento do gosto literário em crianças, jovens e no público em geral.

    Além do Shopping TOTAL o PortoPoesia conta com o apoio das Secretarias  de Educaçãoe Cultura de Porto Alegre.



    Escrito por Marco Celso Huffell Viola às 11h07
    [ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



    Exumando pó ou o filho do barbeiro de Fernando Pessoa

    Marco Celso Huffell Viola


    A mídia e um círculo de parasitas que navega entre as academias adora comemorar, festejar a obra de autores, sejam quais forem, e os centenários,então, são o motivo ideal, cem anos disso ou daquilo.No ano seguinte a obra é esquecida e, na mesma velocidade, um novo autor “centenário” é rememorado. E, todos esses comemoradores, mordem e ganham alguma coisa com isso, ou seus quinze minutos de fama ou dinheiro mesmo.
    Agora chegou a vez dos 120 anos de nascimento de Fernando Pessoa. Por que 120 anos?Não entendo a razão de não comemoraram os 119 anos de nascimento ou 121, ou 119 e um quarto... Um recente documentário da Globonews sobre os 120 anos de nascimento de Fernando Pessoa só mostrou o quão foi pequena ou miúda (como dizem os portugueses) a vida de um dos maiores poetas da língua portuguesa e menor ainda a imaginação do repórter, que a determinado momento chega aproximar o poeta português a Leonardo da Vinci em função de duas invenções dele, a carta-envelope e a máquina de escrever com tipos móveis,invenções essas das quais não existe o menor registro.
    Por mais que o jornalista buscasse alguma coisa, revirando velhas anotações, fotos, parentes, mais distante ficava da obra do poeta. E, surge a clássica entrevista com um “estudioso,especialista” junto à estátua de bronze que paralisa em metal uma também fase miúda e magra da vida do poeta como se aquela fosse a verdadeira imagem dele.Uma caricatura em metal como tantas outras que povoam as praças do mundo de fantasmas inúteis que só servem para abrigo das pombas ou para os ladrões de bronze.
    Dos especialistas,parentes, sobre a vida de Fernando Pessoa, não havia nada mais a declarar sobre ele que já não se soubesse.Em determinado ponto do documentário o jornalista resolveu entrevistar o filho do barbeiro do Fernando Pessoa...Incrível.Há no documentário, também um filme da ex-namorada, do poeta. Pra quê?Vê-se a distância uma senhora com rosto comum, pateticamente, já morta, abanando de uma janela.Nonsense puro.
    O poeta não deixou a guarda de sua alma em fotos, parentes desimportantes ou mesmo no esquema de elétricos feito por ele para encontrar com a namorada.Aquilo tudo está velho desfocado,amarelo. O que ele deixou de importante foi a sua obra, não sua vida.”Viver não é preciso.”E ele viveu pouco, quase nada, o suficiente apenas para escrever.Homenagens nunca as teve,apenas um livro publicado durante sua existência física.Mas isso não interessa esses exumadores de pó como se apenas a realidade vivida pelo poeta possa revelar ou dizer sobre sua identidade,impossível para alguém que em toda a sua obra negou a sua.A vida prática do poeta português, a não ser seu encontro com Alesiter Crowlewy e a correção de seu horóscopo, nada teve mais rumoroso,importante, nada absolutamente nada estranho ou digno de nota, ao contrário da obra. A sua vida pode ser comparada aos brasileiros Drumond e Manoel Bandeira,uma vida comum, banal,cuja vida interior é muitas e várias vezes mais rica e habitada que a vida exterior.
    A obra do poeta é sua vida interior,o exterior é apenas um rasgo, uma fresta aonde o verdadeiro poeta espia.Há, as exceções, quando a vida do poeta mistura com sua arte,então, existe algum significado associá-los,mesmo assim não completamente, poesia não é arte da realidade. Recentemente ouvi um desses analistas da obra alheia, ansioso por declarar algo importante,sobre Mario Quintana.Contemporâneo de Mário (eram colegas de redação) ele falou sobre o poeta:“aprendi mais com o silêncio de Mário do com que com suas palavras.” Traduzindo: o poeta não falava com ele. Não dava a mínima importância a esse analista futuro de sua obra.
    Não é ótimo?
    A necessidade de aduzir, enxertar-se na pessoa da poeta é tanta que vale tudo, mesmo que isso seja completamente insignificante e desnecessário.Mas o que afirmo aqui pode ser associado a outros gêneros de arte, todos têm os seus “especialistas, não criativos” sem luz própria que precisam para sobreviver, se aquecer como mariposas na luz alheia.
    Aliás, o filho do barbeiro de Fernando Pessoa perdeu a oportunidade de recolher algumas fiapos do cabelo do poeta ou de sua barba e guardar para posteridade se soubesse, na ocasião, de quem se tratava.E se fosse um filho de barbeiro com imaginação poderia dizer até que Fernando Pessoa pagava com versos ao corte de cabelo do fígaro seu pai.Mas não, tanto ele como o repórter eram um pouco sem imaginação e ficamos nós todos pensando o que poderia fazer um poeta dentro de uma barbearia, imagino que ele também poderia ter escrito o poema A Barbearia, auxiliando, e muito, as entrevistas futuras do filho do barbeiro...Ficou-me a impressão (ou me ficou a impressão?) que o poeta não gostava desse barbeiro e preferia o dono da tabacaria, resta saber se existe algum sobrevivente dessa loja onde ele comprava seus fumos, e se ele aparecer, certamente, vai colaborar apenas com a nossa compreensão da capacidade pulmonar do poeta ou vai esclarecer e espalhar mais fumaça sobre a obra de Alberto Caieiro ou Ricardo Reis?



    Escrito por Marco Celso Huffell Viola às 02h24
    [ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



    Mídia medíocre

    Por mais dez anos fui setorista na área e economia de vários jornais,onde cheguei a exercer até a função de colunista fantasma de um colunista preguiçoso, além de ter realizado vários cursos e seminários de especialização sobre economia. Sempre entendi o jornalismo econômico como qualquer outro setor dentro de um veículo de comunicação, como um tradutor dos acontecimentos ou fatos. O jornalista funcionando como um filtro, com alguma reflexão ou mesmo buscando mais de uma visão de um mesmo acontecimento, possibilitando ao leitor uma melhor escolha e compreensão sobre o relatado.
    Esse jornalismo sempre foi diferenciado do chamado jornalismo chapa branca que proliferou nas décadas 70/80, mas não deixou de existir e repete e repetia apenas a voz do dono, sem critica ou reflexão. Enquanto na década de 70/80 o jornalismo estava amarrado e amordaçado por censura, na década de 90 a censura econômica aperfeiçoou o serviço, e a critica e a reflexão, no jornalismo, ao ceder ao poder econômico ou ao se tornar política ideológica e/ou partidária atirou ao brejo qualquer possibilidade de seriedade.
    Revendo recentemente uma retrospectiva do programa Manhattan Connection- um dos mais antigos programas de televisão por assinatura no Brasil, com 15 anos de existência- ficou bem claro que os melhores momentos do programa foram aqueles em o jornalista Paulo Francis esteve presente. Em 15 anos de programas semanais foi só o Francis que produção conseguiu encontrar. A retrospectiva terminou sendo uma homenagem merecida a ele.
    Paulo Francis, antes e tudo, era um jornalista que amava e respeitava a sua profissão, quando presente, no programa, os outros participantes eram meros coadjuvantes diante do brilhantismo contraditório de Francis,”só as pessoas inteligentes são contraditórias”, dizia ele com razão, “a unanimidade é burra”, completaria Nelson Rodrigues.
    Entre as várias questões apontadas por Francis estava uma critica a linguagem do jornalismo contemporâneo, voltado para uma mídia réles, simplória, repetitiva e de linguagem empolada.Em um dos momentos, Lucas Mendes fala de alguém, que ele, Lucas, considerava um grande jornalista, Francis pede, então, que cite uma frase, uma única frase desse jornalista: ”-Me cita uma frase, uma só, dele”,diz, e Lucas não consegue, sem se dar conta que o que Francis queria, e afirmava, naquela solicitação, era que o jornalismo é feito de frases e opiniões.Se o jornalista não é capaz de formular uma frase inteligente, não possuía opinião, não era um grande jornalista.
    Francis fez parte de uma estirpe que deu grandes nomes ao jornalismo do Brasil, como Nelson Rodrigues, Rubem Braga, Stanislau Ponte Preta, os também poetas Paulo Mendes Campos e Millor Fernandes, entre outros que estiveram também no Pasquim e renovaram a linguagem do jornalismo brasileiro..Acontece que esse jornalismo que Francis praticava,é raramente feito hoje no Brasil.Toda aquela simplicidade,análise e despojamento da linguagem, duramente adquirida pelo Pasquim, perdeu-se no tempo, retrocedeu.
    No próprio programa Manhattan Connection, depois do Francis, a critica é rápida, rasteira e desaparece do programa,quando não fica unívoca, não se vê frases inteligentes,brilhantes, mas sim um programinha de dicas novaiorquinas e algumas discussãozinha sobre fatos menores da mídia norte-americana, aquela viceralidade que era dada pelo Francis hoje,esta dividida em patéticos comentários que mal conseguem ultrapassar o nível da banalidade.

    Profetas do dia seguinte
     
    E essa banalidade interpretativa empolada pode ser amplamente apreciada em vários telejornais e jornais brasileiros e para citar um exemplo, no recentemente programa exibido na Globo News Espaço Aberto- Crise Externa Qual é a Natureza da Crise?1 Nele,uma das principais setoristas de economia da Rede Globo, entrevista dois bem nutridos economistas brasileiros que deitam sabedoria sobre a crise norte-americana, que ninguém atualmente sabe qual é o tamanho do rombo e que derruba por terra várias gerações de expertos ou espertos, economistas, inclusive estes, que se soubessem que ela estaria por vir certamente teriam ficado milionários,aplicando ou indicando aos seus clientes onde aplicar seus recursos em locais protegidos dessa crise. E a prova mais contundente que nenhum desses economistas sabe exatamente o que está falando e que são profetas do dia seguinte,é a pergunta: Como não sabiam que a economia norte-americana é uma bolha vazia já há vários anos?E com tantos cálculos econômicos disponíveis não sabiam quando ela chegaria ponto de arrebentar?
    Que a economia norte-americana deixou de viver de sua riqueza e parou de poupar a muito tempo, para viver da poupança do resto do mundo,é sabido desde a década de oitenta, quando o controle do petróleo passou para mão dos árabes e os carros japoneses entupiram os quintais, antes produtivos de Detroit –os recentes documentários do Michel Moore são bastantes claros a esse respeito- a transferência dos empregos para países onde havia mão-de-obra mais barata e os fabulosos investimentos especulativos árabes na economia daquele país, terminaram por deixar o quadro de artificialidade bem visível.
    Até onde se sabe todo o sistema capitalista está alicerçado em três bases, setor primário, setor secundário (indústria) e serviços (há escritórios na Índia que encarregados de fazer o imposto de renda de empresas norte-americanas).Não apenas a riqueza norte-americana se espalhou para todo lado, como os empregos, ficando apenas o que era mais barato fazer e produzir no país,nem a recente e multimilionária indústria eletroeletrônica escapou,procurou Taiwan, China, Índia,e assim, o crédito substituiu a produção, mais cedo ou mais tarde, alguém teria que pagar a conta.
    Não duvide se dentro alguns anos os mexicanos não tenham que fechar as suas fronteiras aos norte-americanos que podem inverter o fluxo correndo para lá em busca de uma vida melhor..
    Se estes profetas do dia seguinte fossem tão sábios assim, um Banco com 105 anos, como Barins não teria quebrado com o cofre cheio de análises econômicas, sobre todo o mundo, e salas abarrotadas de economistas bem nutridos e com apenas um operador mal intencionado na Ásia.Ou não teria acontecido o recente rombo suspeito num dos mais importantes bancos franceses, que na minha opinião, preferiu comprar a culpa de um funcionáriozinho do quinto escalão do que jogá-la sobre a diretoria por aplicações mal feitas na bolha vazia norte-americana, no valor de sete bilhões de dólares. É muito dinheiro para alguém do final da fila do banco mexer sem ter até os parentes colaterais de quinta geração muito bem vigiados.
    E, vem, um destes economistas brasileiros depois de meia hora usando a palavra commodities, dizer que a época de ouro acabou. Frase imediatamente repetida pela entrevistadora do programa, sem nenhum critério e análise maior por parte dela.
    Mas que época de ouro, cara-pálida?Época de ouro de quem, acabou?Dos norte-americanos?Não me parece que eles tenham vivido numa época de ouro nos últimos vinte anos,mas com desemprego e recessão.
    Então, vamos continuar dividindo a conta que não fizemos? Será?Durante o governo Reagan o Tesouro norte-americano resolveu subir os juros para conter a sua inflação (sem olhar para o lados) e quebrou o México que mandou um bilhetinho para Washington, dizendo: “não podemos pagar a conta”. E foi criado o chamado efeito Tequila em que o Brasil entrou junto,o culpado, ora, é claro, o México.Os economistas bem sentados, aqui em vários locais do mundo ao contarem essa história, até hoje, lançam pedras no México. 2
    A era Reagan acabou sem que aparecessem os prometidos empregos e o fim da recessão, o Clinton não conseguiu nada além de azarar uma estagiária e fazer com que os homossexuais tivessem direito de freqüentar as forças armadas. Os Bush, republicanos, arrumaram duas guerrinhas na mesma região para ver se melhoravam as finanças internas e faziam com que opinião pública do país deixasse de se preocupar com problemas tão simples como subsistência, continuou tudo igual.Só adiaram o problema.
    O sistema capitalista tem infinitas formas de se adaptar,é um perfeito camaleão, quem disser o contrário não andou lendo história ultimamente,ganha com tudo, incluído a desgraça alheia, quebra uns bancos aqui e ali, outros engordam,desfazem-se algumas fortunas,criam-se outras, alguns milhares de norte-americanos perdem suas casas,surge uma novo mercado de residências recicladas ou coisa que valha, e segue o baile, até a próxima crise.
    Mas nós aqui, no quintal, pelo que sei, nunca vivemos uma época de ouro e sim, continuamos numa época de metais menos nobres,e miseráveis como sempre fomos, mas e estamos muito bem em algumas commodities como, ferro, petróleo,grãos, carne,laranja etc, continuamos em alguns lugares, com mão de obra escrava e, é impossível perder o que nunca tivemos, uma época de ouro, por exemplo.
    Mas perdemos a capacidade de critica e análise e a simplicidade de traduzir os fatos, isso sim.
    1) Exibido em 13.03.2008.
    2) Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano- de autoria do colombiano Plínio Apuleyo Mendoza, do peruano Álvaro Vargas Llosa e do cubano Carlos Alberto Montaner, com prefácios, de Mário Vargas Llosa e de Roberto Campos.



    Escrito por Marco Celso Huffell Viola às 14h16
    [ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



    Acredito na rapaziada... que rapaziada mesmo?

     

     

    A Portelinha é a favela mais segura atualmente do país e a mais inocente.Seu líder comunitário não é traficante e, sim, um simpático sujeito corrupto e corruptor que para se manter e manter funcionando o seu império apenas faz extorsão dos comerciantes locais.Coisa que esses concordam amavelmente dando seu dinheiro para ver todo mundo sorrindo alegre, com todos os dentes, na favela.   Na Portelinha o tráfico não tem vez e ninguém empunha armas.Na recente guerra pelo poder dentro da favela, os simpáticos personagens principais esconderam-se atrás de uma mesa de bilhar para se defender das balas dos fuzis AR15 da facção contrária e, só morreram os personagens idiotas, os espertos sobreviveram todos.Por outro lado, a tropa de elite não invadiu e nem atirou em ninguém. È máximo que a ficção nacional novelística conseguiu atingir.

    Os roteiristas da novela exageraram na dose de realismo parafantástico, com essa novela, mostrando como é bom viver numa favela na cidade maravilhosa,samba, suor e cerveja à vontade o ano todo.O poder público do Rio de Janeiro deveria aceitar as sugestões dos roteiristas da novela e mandar seus funcionários fazer um estágio mais intenso com o administrador da Portelinha para estender o seu modelo para outras favelas do Rio, multiplicando-o, já que é um exemplo completo dos tempos da bela e poética malandragem do Rio de Janeiro,artigo que o país deveria colocar na sua pauta de exportação tamanha aceitação nacional como exemplo de viver bem com o esforço alheio, com a mulher alheia,com o dinheiro alheio.A música de Gonzaguinha que pontua as cenas do personagem principal é outra descaracterização da intenção da própria.A rapaziada a que se refere, com certeza, não é personificada pelo personagem de Antonio Fagundes.

    E continuando o baile de absurdos, a Universidade particular aproxima-se da favela para captar novos alunos que precisam fazer um prova muito rigorosa, quando se sabe que isso acabou no Brasil, alguém precisa atualizar os roteiristas nisso também, o chamado vestibular  da maior parte das universidades pagas não passa mais de uma  redação  que pode ser feita de qualquer jeito que o candidato é aprovado imediatamente,bolsas integrais? Onde?Só para os moradores da Portelinha.E a Universidade pública, sumiu...Não quer saber de aluno que mora em favela.

     O tratamento dado ao racismo chega as raias do deboche, por um lado,  dois personagens vencem a tudo e a todos os preconceitos com o amor e um filho,por outro, uma acusação falsa que mancha o caráter ilibado de um professor  sugerindo que o acusador se vale da pigmentação de sua pele para obter vantagem monetária em conluio com um corpo doscente caricato de uma universidade mais caricata, com uma diretoria  hilária e muito mal educada.Todos os personagens ficariam bem num sanatório para doentes mentais incluído os figurinistas que não acertam os óculos para conseguir fazer com que o ator José Wilker consiga uma olhar de intelectual inteligente e não de amante pouco entusiasmado da loira falsa, dona da Faculdade.

    Do lado do mal, está outro escroque que é do mal porque não é risonho, mas é tão chantagista e ladrão quanto  o personagem principal da novela e, é também estereotipo dos empresários nacionais quase sempre retratados como indivíduos sem caráter, ladrões por índole que não medem esforços para realizar suas empresas e, para conseguir vencer, são capazes de roubar até moças ingênuas e indefesas.

    A caricatura quando bem feita, em ficção, quando bem realizada tem valor,Dias Gomes e mesmo Janete Clair não deixaram bons herdeiros no ramo dos novelistas nacionais.Tanto o molde quanto o resultado dessa novela é lamentável.



    Escrito por Marco Celso Huffell Viola às 11h49
    [ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



    Nazismo e o DNA criminoso

      

    Marco Celso Huffell Viola

     Quando Aldos Huxley  publicou Brave New World, em 1932 (Admirável Mundo Novo, na tradução para o português)a civilização industrial dava os primeiros passos e a grande novidade era o início da produção em massa dos carros Ford.

    Huxley na sua criação imaginou uma civilização onde as pessoas fossem também produzidas em massa e criados seres perfeitos que pudessem ser corrigidos, caso houvesse algum erro na sua fabricação,possibilitando assim o surgimento de escravos que não criassem problemas sociais, bem como seres superiores.Parte da civilização criada pelo escritor inglês chegou mais rápido que, talvez, ele próprio imaginasse. Antes da Segunda Guerra e, durante, os nazistas começaram a fazer experimentos nesse sentido, tentando realizar uma raça pura através das casas de acasalamento onde eles reuniam casais com ancestrais arianos  tentado gerar filhos perfeitos.O resultado foi o que o que se viu, apesar de todo os cuidados, nasceram muitas crianças com defeitos físicos inexplicáveis.O que eles fizeram, além disso, buscando esse resultado está documentado demais, mas nunca é demais falar sobre o assunto. 

    Hoje se sabe que essa idéia de raça pura  não nasceu sozinha havia uma arcabouço cientifico que a sustentava a eugenia ((do grego- bem nascer) o termo foi criado pelo matemático inglês Francis Galton, primo de Darwin  e estuda as melhores condições para reprodução humana.A ciência que começou par e passu com o darvinismo  continua viva hoje, bem mais modernizada  e virando negócio nos bancos de DNA e nas pesquisas que envolvem esse novo caminho da ciência contemporânea.

    E a questão do envolvimento ético dos cientistas  volta com a toda  sua força quando se fala em uma pesquisa como a que deverá  ser realizada com jovens prisioneiros da Fase(antiga Febem, troca o nome, mas a situação dos jovens prisioneiros continua idêntico), e jovens considerados não-violentos, pelas duas das principais universidades do Rio Grande do Sul, onde se pretende estabelecer parâmetros que conduzem a descoberta da origem da violência nos jovens aprisionados através, do inclusive, estudo do DNA.

    A pesquisa lembra em tudo as práticas nazistas, prisioneiros sendo submetidos à investigação da ciência armada fisicamente e com toda a sabedoria de um psicologia pífia,de parâmetros subjetivos, quando se sabe que o pesquisador interfere no resultado da mesma, sem levar em consideração a situação física e psíquica dos apenados. Compará-los com jovens que não estão na mesma situação, é coisa de uma infantilidade primária.

    E correndo por fora chega à nova deusa da ciência atual, o DNA.

    Essa confiança irrestrita e sem controle numa ciência que usa o dinheiro público,- uma vez que Universidade Federal do Rio Grande do Sul o utiliza,- na busca aparente do bem estar coletivo,nem sempre pode ser o que aparenta ser. Numa sociedade organizada ou que se pretende como a nossa, é importante salientar que essa mesma confiança  levou  a ciência  aos erros, com os já citados, e a  médicos que castravam os pobres  ou recomendavam a lobotomia como cura para distúrbios psíquicos, entre várias outras atrocidades que não convém enumerar aqui.

    É preciso estar muito atento a isso.

    Vamos tecer algumas hipóteses: E se apenas a pesquisa de DNA consegue descobrir  que existe um gen da violência? Os portadores desse gen serão separados do resto da humanidade?Com quê?Com marcas adesivas?Tatuagens?Com chips subcutâneos? Confinados já ao nascer? E, se esses brilhantes pesquisadores descobrem, também, que determinadas pessoas têm tendências a carregar mais peso(como burros de carga) que outras, vamos separá-las para usá-los como  serviçais?

    No gado isso já está sendo feito, agora cabe a nós decidir o quanto somos gado nas mãos de uma ciência que esqueceu a ética em algum canto do seu bolso.

    Eis a sociedade de castas previstas por Huxley e tentada realizar pelos nazistas e que os pesquisadores na santa inocência( que não acredito que a tenham,deve ser mais barato, mais fácil e  mais cômodo-menos repercussão negativa social- fazer essa pesquisa aqui, do quem em países mais avançados) buscam encontrar aqui no Rio Grande do Sul. Se a sociedade que cerca esses pesquisadores ficar indiferente ao que eles fazem, justificados por seus títulos acadêmicos, talvez um dia eles consigam criar essa sociedade de sonho  totalitário.

    Sugestão de leitura

    Admirável Mundo Novo-Editora Globo
    1984- George Orwel- Editora Nacional
    http://super.abril.com.br/superarquivo/2005/conteudo_79720.shtml



    Escrito por Marco Celso Huffell Viola às 00h39
    [ ] [ envie esta mensagem ] [ ]




    [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]